Artigos selecionados do Livro Anual XXIX – 2015.

 

Aqui e Agora: meu ponto de vista

Betty Joseph, Londres
[p. 43-48]

Ao rever minha carreira analítica, percebo que meu trabalho foi enfocando cada vez mais, ou talvez tenha começado com, o que acontece na sala entre paciente e analista. Hoje, quero pensar sucintamente por que é assim. É evidente que este foco permite que analista e paciente se sintam mais apoiados.

Entendo o trabalhar no aqui e agora de modo amplo, global, mas também, de modo minucioso, e relacionado com minha compreensão da realidade psíquica no paciente e no analista. Gosto fundamentalmente de fazer interpretações que surjam do que o paciente está falando ou fazendo durante a sessão, com seu histórico e nosso trabalho prévio em algum lugar, no fundo da minha mente, evitando assim explicações gerais. A paciente pode me contar que sua mãe era tão frágil que ela, mesmo quando era muito pequena, se sentia no dever de proteger a mãe. Poderia parecer, por experiência prévia, que isso se referisse a mim, mas eu suspeitava que não seria realmente útil para ela, nem convincente para mim, a menos que, de alguma maneira, se manifestasse na sessão. Mas me alertaria a examinar, por exemplo, se eu falava de forma cuidadosa ou se meu tom de voz tenha sido muito delicado, etc. e, se assim fosse, como consequência, ela poderia ter me sentido, conscientemente ou não, como alguém que anda na ponta dos pés em volta dela ao invés de interpretar direto. Isso me proporciona um ponto de vista mais global – Posso vir a perceber que numa série de sessões a paciente e eu estivéramos conversando cuidadosamente como se desse jeito fosse mais confortável, de maneira que a paciente sentiria que interpretações são apenas “interpretações” e não devem ser levadas muito a sério e eu estivesse compactuando com ela.

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Onde é aqui? Quando é agora

Edna O’Shaughenessy, Londres
[p. 49-59]

Se eu disser, como diversos colegas, que tento trabalhar no “aqui e agora”, posso evocar algumas discussões contemporâneas e alguns fragmentos de história sobre lugar e tempo em psicanálise. Freud descobriu, logo no Projeto (Freud, 1897), no que se refere aos problemas da sua teoria da sedução, que o lugar com papel mais determinante na doença do paciente não é a realidade externa, e sim, a realidade psíquica com suas fantasias inconscientes. Freud desenvolveu o método psicanalítico através das modificações que fez no que diz respeito ao tempo. Suas técnicas iniciais pretendiam “enfocar diretamente o momento em que o sintoma se formava” (Freud, 1911, pg. 147). O analista tentava ajudar o paciente a preencher as lacunas da memória – para relembrar como acontecera “lá e então”. Mais tarde, com a descoberta da transferência e da compulsão à repetição, Freud descobriu relações diferentes de tempo no “lá e então” e “aqui e agora”. Por meio do fenômeno da transferência, o passado se repete no presente e numa psicanálise se torna “um pedaço de vida real” (p. 152); isto é, “em cada momento acessível à nossa intervenção” (p. 154), Freud nos conta, “não devemos tratar a doença [do paciente], como um acontecimento do passado, mas como força atual” (Freud 1914, p. 151). Tudo isso tem implicações para a técnica analítica: a atenção flutuante do analista, como eu a entendo, paira sobre e busca iluminar a realidade psíquica enquanto a realidade material é mantida em relativa escuridão (não escuridão, note, mas relativa escuridão).

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Para o melhor uso dos conceitos psicanalíticos:
Modelo ilustrado com o conceito de enactment

Werner Bohleber, Peter Fonagy, Juan Pablo Jiménez,
Dominique Scarfone, Sverre Varvin e Samuel Zysman

[p. 251-280]

Encontramos atualmente na psicanálise um vasto conjunto de teorias a que são associados termos e conceitos com diferentes níveis de abstração. Desde há muito, têm ocorrido intensas discussões sobre o status epistemológico da psicanálise, levando a conclusões muito diferentes. Tal situação poderia ser motivo de descrédito, mas, em parte é consequência da peculiaridade do relacionamento entre teoria e prática que distingue a psicanálise de outros campos científicos. O estudo da prática de um analista mostra que as teorias são sempre adotadas individualmente. Em uma sessão de análise, o analista não recupera simplesmente de sua memória ideias e conceitos teóricos; mais exatamente, ocorre um processo de descoberta no qual ele precisa redescobrir a teoria, baseado no material clínico, mesmo que, em sua maior parte, ele já a tenha internalizado (Parsons, 1992). Nesse percurso, o analista desenvolve teorias implícitas e pessoais não conscientes.

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